
Muitas famílias só pensam em dentista quando aparece a primeira cárie ou a primeira dor. A recomendação de quem trabalha com saúde bucal infantil vai no sentido oposto: a primeira consulta deve acontecer bem antes de qualquer problema. Na semana de 12 de outubro, Dia das Crianças, vale entender quando marcar a primeira consulta de odontopediatria, o que acontece nela e como transformar a visita em algo tranquilo para os pequenos.
A orientação mais difundida entre entidades de odontopediatria e de pediatria é que a primeira consulta aconteça quando nasce o primeiro dente, o que costuma ocorrer por volta dos seis meses, e não passe do primeiro aniversário. Nessa idade, a boca ainda tem poucos dentes, e é justamente por isso que a visita é útil: o foco é prevenção e orientação, e não tratamento.
Esperar até os três ou quatro anos, idade em que muitos pais pensam na primeira consulta, pode significar encontrar cáries já instaladas, que exigem procedimentos mais longos e costumam ser a primeira experiência desagradável da criança com o dentista.
A primeira consulta é curta e, na maior parte das vezes, feita com o bebê no colo do responsável. O profissional observa:
A conversa com a família costuma ser a parte mais importante. O dentista explica como limpar os dentes do bebê, quando começar a usar creme dental com flúor e na quantidade adequada para a idade, e como a alimentação, principalmente o consumo frequente de açúcar, influencia o risco de cárie.
Para crianças que já entendem o que está acontecendo, a preparação faz diferença. Algumas atitudes ajudam:
Consultórios de odontopediatria costumam usar técnicas de adaptação, como mostrar e explicar cada instrumento antes de usá-lo, e deixar a criança tocar na cadeira e na escova.
Depois da primeira visita, o intervalo entre as consultas é definido de acordo com o risco de cárie de cada criança. Para a maioria, retornos a cada seis meses são suficientes; crianças com manchas, cáries anteriores ou hábitos alimentares de maior risco podem precisar de acompanhamento mais próximo.
As consultas periódicas acompanham a troca dos dentes de leite pelos permanentes, a posição dos dentes e o desenvolvimento dos ossos da face. É nesse acompanhamento que o dentista percebe, cedo, problemas de mordida que podem ser encaminhados para avaliação ortodôntica no momento certo.
Uma ideia comum é que os dentes de leite não merecem tanto cuidado porque vão cair. Na prática, eles ajudam na mastigação, na fala e guardam o espaço para os permanentes. Uma cárie não tratada em dente de leite pode causar dor, infecção e perda precoce, com reflexos na posição dos dentes definitivos.
Com que idade devo levar meu filho ao dentista pela primeira vez? A recomendação é marcar a primeira consulta quando nascer o primeiro dente, geralmente por volta dos seis meses, e não passar do primeiro ano de vida.
Bebê sem dentes precisa de limpeza na boca? Sim. A orientação é limpar a gengiva com uma gaze ou fralda limpa umedecida em água, criando o hábito de higiene antes mesmo da erupção dos dentes.
O que fazer se a criança chorar na consulta? Choro é comum, principalmente nos primeiros anos. O odontopediatra está preparado para lidar com essa reação, e a repetição das visitas preventivas, sem procedimentos desconfortáveis, tende a deixar a criança mais tranquila com o tempo.