
Um disco rígido que para de funcionar, um computador levado num furto, um arquivo sequestrado por vírus. Qualquer um desses eventos pode apagar em minutos anos de prontuários, radiografias e planos de tratamento. Uma rotina de backup de dados da clínica não evita que o problema aconteça, mas define se ele será um susto de algumas horas ou uma perda irreparável.
O primeiro erro é achar que o backup do sistema de gestão cobre tudo. Numa clínica odontológica, os dados ficam espalhados:
Liste cada tipo de dado, onde ele fica armazenado e quem é responsável por ele. Esse inventário mostra os pontos cegos, como o computador da sala de radiologia que ninguém lembrou de incluir.
A regra 3-2-1 é uma referência simples e amplamente usada em segurança da informação:
Uma variação cada vez mais recomendada acrescenta uma cópia isolada, que não fica permanentemente conectada à rede. Isso protege contra ataques de sequestro de dados, que costumam criptografar também os discos de backup ligados ao computador.
O backup local, em disco externo ou em um pequeno servidor de armazenamento, tem a vantagem da velocidade: restaurar muitos gigabytes de imagens a partir de um disco na mesma sala é bem mais rápido do que baixar tudo da internet.
O backup em nuvem cuida do risco físico. Se o consultório sofrer um sinistro, os dados continuam acessíveis. Ao escolher um serviço, verifique onde os dados ficam armazenados, se há criptografia, como funciona a recuperação e o que diz o contrato sobre confidencialidade e tratamento de dados pessoais de saúde.
Muitos sistemas de gestão em nuvem já fazem cópias automáticas do banco de dados. Mesmo assim, vale confirmar com o fornecedor a frequência, o tempo de retenção e a possibilidade de exportar os dados da clínica.
Dados de saúde são dados pessoais sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados. Um disco de backup perdido sem criptografia equivale a um arquivo de prontuários esquecido na rua. Por isso:
Backup que nunca foi testado é uma aposta. A rotina precisa incluir testes periódicos em que um arquivo, uma pasta de imagens ou o banco de dados inteiro são efetivamente recuperados, de preferência em outro computador. Só assim a clínica sabe se as cópias estão íntegras e quanto tempo leva para voltar a funcionar.
Registre a data de cada teste, o que foi restaurado e o resultado. Esse histórico também demonstra cuidado com os dados, caso seja necessário comprovar as medidas de segurança adotadas.
Backup que depende de alguém lembrar de plugar o disco no fim do dia falha nas férias, na correria ou na troca de funcionário. Sempre que possível, automatize as cópias e defina:
Um procedimento escrito, de uma página, basta para que a rotina sobreviva a mudanças na equipe.
Backup em nuvem dispensa o backup local? Não é o ideal. A nuvem protege contra perdas físicas no consultório, mas a restauração pode ser lenta. A combinação dos dois atende melhor à regra 3-2-1.
Com que frequência devo fazer backup das radiografias? Imagens novas são geradas todos os dias, por isso o recomendado é que entrem na cópia diária, de forma automática, junto com o banco de dados do sistema de gestão.
Como saber se o backup está funcionando? Fazendo testes de restauração periódicos, recuperando arquivos reais em outro computador e registrando o resultado. Mensagem de cópia concluída não garante que os dados possam ser recuperados.