
Copiar a tabela do vizinho ou seguir apenas a referência de mercado é a forma mais comum de definir preço num consultório odontológico, e também a mais arriscada. Sem conhecer o próprio custo, o profissional pode estar cobrando menos do que gasta em procedimentos longos e mais do que precisa em procedimentos rápidos. O cálculo do custo hora clínica em odontologia resolve isso com contas simples, que qualquer consultório pode fazer numa planilha.
Custos fixos são os que existem mesmo que nenhum paciente seja atendido. Para chegar a um valor confiável, vale usar a média dos últimos meses e incluir tudo:
O pró-labore costuma ser esquecido, e esse é um erro que distorce todo o cálculo. Se o trabalho do dentista não entra como custo, o consultório parece lucrativo quando, na verdade, só está remunerando o profissional abaixo do que deveria.
O segundo número é quantas horas de atendimento o consultório consegue vender por mês. Não basta multiplicar o horário de funcionamento pelos dias úteis: é preciso descontar intervalos, tempo de preparo da sala, reuniões e a parcela da agenda que fica vazia por faltas e cancelamentos.
Uma forma prática é aplicar uma taxa de ocupação realista, baseada no histórico da própria agenda. Consultórios que não têm esse dado podem começar com uma estimativa conservadora e ajustar depois de alguns meses.
O custo da hora clínica é a divisão dos custos fixos mensais pelas horas efetivamente atendidas. Esse valor representa quanto o consultório gasta para manter cada hora de cadeira funcionando, antes de qualquer material ser usado.
Com o custo da hora definido, cada procedimento é calculado a partir de dois componentes:
A soma dos dois é o custo direto do procedimento, o piso abaixo do qual o consultório perde dinheiro.
Sobre o custo direto ainda incidem impostos, que variam conforme o regime tributário, e taxas de cartão ou de parcelamento. Por fim, entra a margem de lucro, que remunera o investimento e permite reservas. Como esses percentuais incidem sobre o preço final, e não sobre o custo, a conta correta é dividir o custo direto por um fator que desconta todos eles.
Os números abaixo são hipotéticos e servem apenas para mostrar o raciocínio:
Para uma restauração que ocupa uma hora de cadeira e consome R$ 40 em materiais, o custo direto é de aproximadamente R$ 182,86. Supondo 10% de impostos, 3% de taxa de cartão e 20% de margem, a soma dos percentuais é 33%. O preço é o custo direto dividido por 0,67, o que dá cerca de R$ 273.
O exemplo mostra por que o tempo pesa tanto. Se a mesma restauração levar uma hora e meia, o custo direto sobe para cerca de R$ 254 e o preço sustentável passa de R$ 379.
O custo da hora muda quando o aluguel sobe, quando a equipe cresce ou quando a agenda fica mais cheia. Revisar a conta a cada semestre, ou sempre que houver uma mudança relevante, evita que o preço fique defasado. E a análise costuma revelar oportunidades: às vezes, aumentar a ocupação da agenda reduz o custo da hora mais do que qualquer corte de despesa.
O pró-labore do dentista entra como custo fixo? Entra. A retirada mensal do profissional remunera o trabalho dele e deve fazer parte dos custos fixos. Sem ela, o cálculo mostra um lucro que, na prática, não existe.
Posso cobrar abaixo do custo para competir com preços de mercado? É possível em casos pontuais, mas praticar preço abaixo do custo de forma recorrente compromete a sustentabilidade do consultório. O cálculo ajuda a saber exatamente quanto se perde em cada caso.
Com que frequência devo refazer o cálculo do custo da hora clínica? Uma revisão semestral é um bom ponto de partida, além de sempre que houver mudança relevante em aluguel, equipe, equipamentos ou taxa de ocupação da agenda.